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16.02.2026 06:44 PM
Bitcoin caminha à beira do abismo

O Bitcoin tenta se recuperar após a tempestade de janeiro-fevereiro. Desde as máximas de outubro, o BTC/USD recuou mais de 40%, reduzindo pela metade a capitalização do mercado cripto. No momento, os participantes permanecem em alerta, à espera de qualquer sinal de estabilização da tendência. Um rompimento do suporte em US$ 60.000 poderia ser catastrófico para os ativos digitais.

Esse nível não é apenas uma referência psicológica redonda — ele concentra grandes volumes de ordens em derivativos atrelados ao Bitcoin e sustenta uma parcela significativa de empréstimos colateralizados em BTC. Esses financiamentos são estruturados de modo que, em movimentos de queda, o colateral é automaticamente liquidado pelos credores, o que tende a intensificar a pressão vendedora. Do ponto de vista técnico, a região de US$ 60.000 coincide com a média móvel de 200 dias. Uma quebra desse patamar sinalizaria a retomada da tendência de baixa, com elevada probabilidade de recuos em direção a US$ 50.000 ou níveis inferiores.

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Há, porém, uma boa notícia. A Glassnode informa que detentores de carteiras com 1.000 BTC ou mais — as chamadas baleias do mercado cripto — voltaram a comprar moedas de forma ativa. No início de fevereiro, esse grupo acumulou cerca de 53 mil BTC, avaliados em aproximadamente US$ 5 bilhões. Vale lembrar que suas ações anteriores foram um dos principais vetores da queda do BTC/USD: desde meados de dezembro, haviam vendido cerca de 170 mil moedas, no valor de US$ 11 bilhões.

Uma mudança de postura das baleias, de short para long, pode sinalizar uma redistribuição de posições especulativas dentro da tendência de baixa, e não necessariamente uma acumulação genuína. Caso se trate de distribuição e não de acumulação, a probabilidade de que a consolidação termine com a continuação da tendência baixista é maior do que a de uma reversão. A ressalva crucial é que o Bitcoin não deve cair abaixo de US$ 60.000 — abaixo desse nível, nem mesmo os grandes players conseguirão conter a pressão vendedora.

Quanto mais o preço recua, mais ursos entram no mercado. Nesse contexto, o quarto fechamento negativo em cinco dias do BTC/USD leva muitos investidores a tirar conclusões bastante pessimistas sobre as perspectivas do ativo.

O Bitcoin permanece altamente sensível ao desempenho dos índices de ações de tecnologia dos EUA. A rotação contínua nos mercados acionários americanos, somada ao fraco desempenho semanal do Nasdaq Composite, exerce uma pressão descendente significativa sobre o BTC.

Por outro lado, a incapacidade dos metais preciosos de se recuperarem fortaleceu o argumento dos ursos do Bitcoin. Durante um longo período, o capital migrou do mercado cripto para ouro, prata e ativos semelhantes; após as liquidações de janeiro, no entanto, os investidores passaram a retirar recursos também desses metais. Nesse sentido, a consolidação do Bitcoin pode indicar que os ativos digitais voltam a figurar entre os destinos de alocação dos investidores.

Do ponto de vista técnico, o gráfico diário do BTC/USD ainda não mostra sinais de que a negociação em faixa tenha chegado ao fim. Nessas condições, a estratégia mais prudente é aguardar. Faz sentido trabalhar com ordens pendentes: uma ordem de venda em US$ 65.000 e uma ordem de compra em US$ 72.000. A ativação de qualquer uma delas pode servir como gatilho para a abertura de novas posições.

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Marek Petkovich,
Analytical expert of InstaTrade
© 2007-2026

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