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A história parece se repetir. Alguns analistas comparam os eventos atuais a 2022; outros, aos anos 1970. Quatro anos atrás, o conflito armado na Ucrânia desencadeou uma crise energética na Europa, e o euro chegou a cair abaixo da paridade frente ao dólar americano. Meio século antes, o choque do petróleo e um corte na taxa dos Fed funds, sob pressão política, levaram a uma inflação descontrolada e, posteriormente, a uma recessão em formato de W.
Apesar do aparente desejo do futuro presidente do Fed, Kevin Warsh, de flexibilizar a política monetária para agradar a Donald Trump, o contexto atual difere do dos anos 1970. Naquela época, os Estados Unidos ainda não eram exportadores líquidos de energia. É verdade que, então, um volume maior de petróleo transitava pelo Estreito de Ormuz do que hoje. No entanto, atualmente essa rota também é crucial para o transporte de outras commodities, incluindo gás natural. A disparada dos preços do gás, cerca de 70% desde o fim de fevereiro, combinada com níveis reduzidos de estoques na Europa, remete fortemente aos eventos de 2022.
Naquele período, o tema do excepcionalismo americano voltou ao centro do debate. Os EUA estavam geograficamente mais distantes dos focos de tensão na Europa Oriental do que seus parceiros europeus, o que favoreceu a migração de capital para o mercado americano. Os preços do gás subiram de forma muito mais intensa no Velho Continente, o PIB da zona do euro desacelerou e a inflação ganhou força. O BCE ficou em uma posição extremamente delicada: precisava apoiar a economia por meio de cortes de juros, mas enfrentava restrições devido ao risco elevado de pressões inflacionárias.
Uma repetição dessa história seria uma má notícia para um bloco monetário que apenas começou a se recuperar. Os governos precisarão de medidas de apoio fiscal para as famílias, mas grande parte do espaço fiscal disponível já foi gasto em infraestrutura e nas necessidades da indústria de defesa.Em suma, a Europa poderia suportar um conflito no Oriente Médio caso ele se limitasse a um mês. No entanto, ninguém sabe ao certo como os acontecimentos irão evoluir.
O Departamento de Defesa dos EUA rejeita a hipótese de uma guerra prolongada com o Irã, enquanto Donald Trump afirma que não há prazos definidos para o fim da operação. A Casa Branca também não descartou o envio de tropas americanas ao terreno, embora o presidente considere que isso não seja necessário nesta fase. Segundo ele, a operação foi inicialmente planejada para durar de quatro a cinco semanas, mas pode acabar se estendendo por mais tempo.
O colapso do EUR/USD sugere que os mercados estão precificando um cenário mais pessimista, incorporando ao principal par de moedas a expectativa de um confronto prolongado no Oriente Médio.
Do ponto de vista técnico, o gráfico diário do EUR/USD indica a conclusão de um padrão de reversão 1-2-3. Ambos os alvos das posições vendidas abertas em 1,1835 — 1,1715 e 1,1615 — foram alcançados. Um rompimento do nível pivô em 1,1590 aumentaria o risco de uma nova perna de baixa em direção a 1,1490. Por outro lado, um repique técnico poderia permitir ao par formar um fundo temporário, oferecendo aos traders oportunidade de realizar lucros e avaliar uma possível reversão de posições.