China evita comprar petróleo venezuelano sob controle dos EUA
A estatal chinesa PetroChina informou seus traders de que não pretende comprar petróleo venezuelano no momento, apesar de as exportações do país estarem agora sob controle dos Estados Unidos. A orientação para evitar essas operações sinaliza uma postura cautelosa da empresa, que prefere reavaliar as condições de mercado antes de retomar as compras.
A PetroChina, que integra o grupo CNPC, foi o maior comprador de petróleo da Venezuela até 2019, quando sanções impostas pelos EUA interromperam parte significativa dessas transações. A atual decisão ocorre em meio a uma reprecificação do petróleo venezuelano, após grandes tradings internacionais — como Vitol e Trafigura — passarem a comercializar volumes relevantes a preços consideravelmente mais altos.
Segundo fontes de mercado, os descontos do petróleo venezuelano em relação ao Brent, que eram de cerca de US$ 15 por barril em dezembro, encolheram para aproximadamente US$ 5, tornando o produto menos competitivo frente a alternativas como o petróleo canadense e o iraniano. Analistas avaliam que, nesses níveis, o óleo venezuelano perde atratividade econômica.
Essa mudança de postura da PetroChina sugere que outros compradores chineses, especialmente aqueles que adquiriam petróleo venezuelano com grandes descontos, podem seguir o mesmo caminho. Como resultado, os embarques para a China devem cair acentuadamente já em fevereiro, segundo traders. Até recentemente, os principais compradores vinham sendo pequenas refinarias privadas chinesas, altamente sensíveis a preço e dispostas a assumir riscos regulatórios, uma disposição que tende a desaparecer à medida que os preços sobem.
Em contraste, a Rússia indicou que pretende manter sua cooperação energética com a Venezuela. De acordo com Sergey Melik-Bagdasarov, embaixador russo no país, não há planos de interromper acordos de produção nem de alterar as operações das empresas russas no setor petrolífero venezuelano.