O gargalo no abastecimento de gás no Estreito de Ormuz eleva os custos de serviços públicos em todo o mundo
Os mercados globais de gás natural liquefeito (GNL) estão se preparando para um período prolongado de pressão sobre os preços. De acordo com um relatório da BCA Research, o bloqueio do Estreito de Ormuz deve ter um impacto mais significativo no setor de gás do que no mercado de petróleo, com expectativa de que os déficits de oferta persistam ao longo de 2026.
Analistas projetam que, mesmo que a via marítima seja reaberta até maio, as exportações globais de GNL podem cair pelo menos 6% até o final do ano. Ao contrário do petróleo, o mercado de gás apresenta menor flexibilidade logística, o que torna interrupções no Golfo Pérsico particularmente críticas para o equilíbrio global entre oferta e demanda.
Crise asiática e renascimento do carvão
A situação é mais crítica na Ásia, onde grandes importadores estão sendo obrigados a adotar medidas rigorosas de economia de energia e racionamento. Para compensar a perda do gás do Catar, países da região Ásia-Pacífico estão aumentando rapidamente a geração a carvão e recorrendo ao mercado à vista (spot).
Especialistas observam que, para preservar a estabilidade econômica, os preços do gás no mercado spot precisam permanecer abaixo dos níveis extremos observados em 2022. Caso contrário, o mercado corre o risco não apenas de escassez, mas também de um colapso na demanda industrial.
Horizonte 2027: do déficit ao superávit
Apesar das perspectivas desafiadoras para os próximos 12 a 18 meses, o cenário de médio prazo parece mais favorável. A partir de 2027, novas capacidades de liquefação devem entrar em operação em larga escala nos Estados Unidos, no Catar, no Canadá e no Senegal.
A expansão desses projetos deve criar uma espécie de “colchão de segurança”, capaz de levar o mercado global de uma situação de forte aperto na oferta para um cenário de superávit até 2028. Ainda assim, até lá, especialistas recomendam cautela em investimentos em setores intensivos em energia e utilities, cuja rentabilidade depende diretamente do custo do gás importado. A principal questão permanece sendo a velocidade com que novos projetos poderão ser ampliados para fechar o chamado “gap de Ormuz”.