Analistas do UBS preveem alta do ouro, mas o mercado exige paciência
Os preços do ouro podem retomar sua trajetória de alta no segundo semestre de 2026 caso o Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos opte por não elevar as taxas de juros e os bancos centrais mantenham um ritmo elevado de compras. Estrategistas do UBS estimam que o metal era negociado em torno de US$ 4.077 por onça no fim de julho de 2026, após devolver parte dos ganhos em razão da queda da demanda por joias e das expressivas saídas de recursos de fundos negociados em bolsa (ETFs) lastreados em ouro.
Segundo o World Gold Council, a demanda global por barras e moedas físicas caiu para 307 toneladas métricas no segundo trimestre, enquanto a demanda líquida por investimento praticamente caiu pela metade, para 262 toneladas. O principal suporte para evitar uma queda mais acentuada dos preços veio dos bancos centrais, que adquiriram 289 toneladas. Os analistas destacam que, para sustentar as cotações acima de US$ 4.000 por onça, a demanda oficial precisará permanecer próxima de 300 toneladas por trimestre, acompanhada por uma recuperação dos fluxos de investimento. O equilíbrio entre oferta e demanda também está passando por ajustes: o aumento da produção para 966 toneladas no segundo trimestre foi parcialmente compensado pela redução do volume de ouro reciclado para 326 toneladas.
O principal fator de sustentação do metal precioso continua sendo a política monetária dos Estados Unidos. Enquanto os mercados seguem precificando a possibilidade de uma alta dos juros ainda neste ano, os riscos de curto prazo permanecem inclinados para o lado negativo, abrindo espaço para uma eventual queda até US$ 3.850 por onça. Em contrapartida, a manutenção das taxas de juros, seguida pelos cortes esperados no início de 2027, enfraqueceria o dólar, reduziria o custo de oportunidade de manter posições em ouro e renovaria o interesse dos investidores que buscam proteção contra a inflação.
De acordo com as projeções de longo prazo do UBS, o ouro deverá atingir US$ 4.400 por onça até setembro, US$ 4.600 até dezembro, US$ 5.000 em março de 2027 e superar US$ 5.200 em junho. O banco suíço avalia que uma eventual correção de curto prazo para US$ 3.850 por onça deve ser encarada como uma oportunidade atrativa de compra para investidores com horizonte de longo prazo.