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16.07.2026 03:55 PM
Breve visão geral: Um teste de gravidade para a SpaceX

Em meados de julho de 2026, um verdadeiro drama se desenrolou em torno das ações da gigante aeroespacial SpaceX (SPCX). Pela primeira vez desde sua histórica oferta pública inicial (IPO), realizada em junho, os papéis da empresa caíram abaixo do preço de oferta de US$ 135, atingindo temporariamente a mínima de US$ 132,15 antes de encerrarem o pregão em US$ 135,27. Isso representa uma desvalorização de 33% em relação às máximas registradas logo após a estreia na bolsa. A capitalização de mercado da SpaceX recuou de um recorde de US$ 2,1 trilhões para US$ 1,8 trilhão.

Embora o IPO da SpaceX tenha sido o maior da história dos Estados Unidos, levantando US$ 75 bilhões, menos de 5% das ações da empresa foram efetivamente colocadas em circulação na bolsa. Essa escassez artificial impulsionou inicialmente as cotações, mas os investidores agora enfrentam uma dura realidade: agosto se aproxima, trazendo a possibilidade de uma forte onda de vendas com o fim do período de lock-up. Enquanto isso, os principais bancos de investimento continuam bastante otimistas: a Evercore ISI estabeleceu um preço-alvo de US$ 230, a Needham elevou sua projeção para US$ 250, e a Raymond James estima que as ações possam alcançar US$ 800.

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Principais fatores de pressão

A atual queda no preço das ações reflete fatores fundamentais que deverão continuar pressionando os papéis da SpaceX no médio prazo:

• Vencimento em massa dos períodos de lock-up em agosto. O principal risco é o fim das restrições à venda de ações por funcionários e investidores iniciais, previsto para o segundo pregão após a divulgação do primeiro relatório trimestral da empresa (esperado para o início de agosto). Cerca de 911,5 milhões de ações, avaliadas em aproximadamente US$ 123 bilhões, deverão chegar ao mercado. Para efeito de comparação, o valor total das ações da SpaceX atualmente negociadas na Nasdaq é de cerca de US$ 86 bilhões. Assim, a oferta de ações deverá mais do que dobrar, criando um expressivo excesso de oferta (supply overhang). Outros 455,8 milhões de ações poderão ser liberados caso o preço supere US$ 175,50, mas esse cenário é irrelevante no momento. Até dezembro, o free float da empresa deverá alcançar cerca de 40% do capital total.

• Valor de mercado extremamente elevado. Mesmo após perder um terço de seu valor de mercado, a SpaceX continua sendo negociada a cerca de 49 vezes a receita anual projetada, enquanto a Tesla, por exemplo, negocia a aproximadamente 15 vezes sua receita anual. Além disso, a empresa encerrou o ano passado com um prejuízo líquido de cerca de US$ 5 bilhões, tornando sua avaliação altamente especulativa e suscetível a correções.

• Desempenho histórico de empresas recém-listadas. Dados de 50 grandes IPOs realizados nos Estados Unidos desde 2010 mostram que companhias cujas ações caíram abaixo do preço de oferta nos dois primeiros meses apresentaram, posteriormente, desempenho consistentemente inferior ao do mercado. A mediana de valorização dessas empresas foi de 61%, ante 112% para aquelas que conseguiram manter suas ações acima do preço de oferta.

• Desafios tecnológicos e elevados investimentos de capital. A SpaceX recebeu autorização da FAA para realizar novos testes do Starship, mas a viabilidade comercial do projeto ainda precisa ser comprovada. Além disso, a aquisição, por US$ 17 bilhões, do espectro da EchoStar destinado ao serviço de internet móvel Starlink exige investimentos de capital (CapEx) extremamente elevados, adiando a obtenção de uma lucratividade líquida consistente.

Previsão

Nossa perspectiva para esse cenário é significativamente mais cautelosa do que as expectativas extremamente otimistas da maioria dos analistas de Wall Street.

Nos próximos dois meses (agosto e setembro de 2026), a SpaceX enfrentará um importante teste de resiliência. O enorme volume de ações que será liberado com o fim do período de lock-up deverá gerar uma forte pressão vendedora, que dificilmente será absorvida rapidamente pelo mercado. Durante esse período, projetamos uma nova queda das ações da SPCX, com um teste da região de suporte entre US$ 110 e US$ 115 (uma desvalorização adicional de aproximadamente 15% a 20% em relação aos níveis atuais). Narrativas especulativas, como uma possível fusão entre a SpaceX e a Tesla em uma única holding ("Elon Corp") ou notícias relacionadas aos lançamentos da Starship, tendem a provocar apenas repiques de curto prazo, que provavelmente serão anulados pelas vendas realizadas por investidores internos (insiders).

A estabilização dos preços e a retomada de uma trajetória consistente acima do preço do IPO, de US$ 135, dificilmente ocorrerão antes do final de 2026 ou do início de 2027. Essa recuperação dependerá inteiramente da capacidade da Starlink de apresentar um crescimento sólido do lucro operacional e de os testes da Starship comprovarem que o transporte e a implantação de cargas podem ser realizados de forma regular e economicamente viável.

Diante desse cenário, recomenda-se que os investidores adotem uma postura de esperar para ver (wait and see), evitando compras precipitadas até que a pressão decorrente do fim do período de lock-up, prevista para agosto, seja absorvida pelo mercado.

Dean Leo,
Analytical expert of InstaTrade
© 2007-2026

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