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Em condições imprevisíveis, o mercado tende a apresentar padrões mais previsíveis. À medida que o conflito no Oriente Médio se desenrola, observa-se um padrão no comportamento dos índices acionários dos EUA. O S&P 500 sobe no início da semana, perde força no meio da semana e recua na quinta e na sexta-feira.
Os investidores evitam manter posições durante o fim de semana. Eventos relevantes podem ocorrer no Irã nesse período, e Donald Trump frequentemente publica novas mensagens nas redes sociais que podem impactar os mercados.
Padrões na dinâmica do S&P 500
O presidente dos EUA continua sendo um fator de volatilidade para os índices acionários. Comentários de escalada sobre o Oriente Médio frequentemente partem de Donald Trump quando os mercados estão fechados. O discurso sobre o fim da guerra no Irã estava previsto para o final do dia. Até então, o S&P 500 vinha em alta, impulsionado pelas expectativas de que a Casa Branca reiteraria o cenário de uma resolução em duas a três semanas.
Isso de fato ocorreu, mas, ao mesmo tempo, Trump apresentou novos ultimatos. Afirmou que os ataques à infraestrutura energética do país poderão ser intensificados caso o Estreito de Ormuz não seja reaberto. Teerã respondeu que o estreito permanece aberto — mas não para embarcações americanas.
Desempenho dos índices de ações dos EUA
A Casa Branca continua a apresentar cenários como se fossem fatos. Donald Trump sugere a disposição do Irã para negociar ou a existência de apelos de Teerã por um cessar-fogo — elementos que não são confirmados pela outra parte. O Irã, por sua vez, tem alertado para que não se atribua credibilidade excessiva a essa retórica.
O suporte ao S&P 500 veio de dados macroeconômicos positivos dos EUA. O Institute for Supply Management reportou que a atividade industrial subiu de 52,4 para 52,7 em março. As vendas no varejo avançaram 0,6% em base mensal, e o emprego no setor privado, segundo a ADP, cresceu em 62.000 vagas. A economia dos EUA segue resiliente, embora esse fator tenha ficado em segundo plano.
Os investidores não querem perder um possível rali pós-conflito. Ainda está recente a memória da forte recuperação das ações após a imposição de tarifas em larga escala pela Casa Branca no chamado Liberation Day of America, quando o Nasdaq Composite registrou um expressivo avanço diário de 10%. Nesse contexto, não surpreende que, diante de sinais positivos, os investidores aumentem rapidamente a exposição ao risco.
Nesse contexto, Donald Trump desapontou mais do que agradou. Os investidores esperavam maior clareza após sua afirmação de que o conflito no Oriente Médio terminaria em duas a três semanas. Em vez disso, receberam a sinalização de que um cessar-fogo só seria possível após a reabertura do Estreito de Ormuz. Não há sinais concretos de desescalada, portanto ainda não é momento de FOMO (medo de ficar de fora).
Do ponto de vista técnico, o S&P 500 formou uma barra doji com longa sombra superior no gráfico diário e não conseguiu recuperar o nível de valor justo em 6.585. Ambos os sinais indicam fragilidade dos compradores e abrem espaço para vendas do índice em caso de rompimento do suporte pivô em 6.550.